Globo diversifica gêneros da Sessão da Tarde para conter avanço das plataformas de streaming

Redação Stey Post

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Globo diversifica gêneros da Sessão da Tarde para conter avanço das plataformas de streaming
Foto: Reprodução / dci.com.br

A Sessão da Tarde permanece como um dos pilares mais resilientes da grade de programação da TV Globo, mesmo em um cenário dominado pelo consumo sob demanda. A divulgação do cronograma para a primeira semana de novembro, que contempla títulos entre os dias 2 e 6, revela uma tentativa clara da emissora de equilibrar gêneros distintos. A escalação mistura drama biográfico, animação, ficção científica e comédia. Essa diversidade não é acidental, mas uma resposta direta à forma como o público brasileiro ainda consome cinema de forma gratuita durante o período vespertino, servindo como um porto seguro contra a paralisia de escolha que afeta assinantes de serviços como Netflix e Max.

Entre os destaques da semana, a inclusão de um drama biográfico sinaliza o esforço da emissora em elevar o tom intelectual da faixa horária, tradicionalmente associada a comédias leves dos anos 80 e 90. Esse movimento busca atrair um público que está em casa no meio da tarde, mas que exige histórias com maior profundidade emocional e qualidade técnica reconhecida. Além disso, a presença de ficção científica e animações garante que a audiência mais jovem, em período de férias ou contraturno escolar, continue sintonizada. A estratégia de programação linear utiliza esses filmes como âncoras para manter o share de audiência estável para os telejornais locais e as novelas que seguem na grade.

Curadoria estratégica da TV aberta enfrenta fadiga de escolha do streaming

O fenômeno da fadiga de escolha é um dos maiores problemas das plataformas digitais modernas. O usuário médio gasta cerca de 20 minutos apenas navegando pelos catálogos antes de decidir o que assistir, muitas vezes desistindo do processo. É aqui que a Sessão da Tarde encontra sua maior força competitiva. Ao oferecer uma curadoria pronta e de fácil acesso, a TV Globo remove o fardo da decisão do espectador. A seleção de filmes para esta semana foi estruturada para criar uma jornada emocional que começa com a leveza da comédia e transita para a gravidade dos dramas biográficos, mantendo o interesse de diferentes perfis demográficos ao longo dos cinco dias úteis.

Historicamente, o custo de licenciamento desses filmes para a TV aberta passou por grandes transformações. Antes, a Globo detinha contratos de exclusividade com grandes estúdios de Hollywood, como Disney e Warner, o que garantia as maiores bilheterias do cinema na sua tela. Hoje, com a consolidação dos serviços de streaming próprios desses estúdios, a emissora precisou diversificar suas fontes e focar em títulos que possuem alto poder de retenção, independentemente da idade da obra. Filmes biográficos, por exemplo, possuem uma vida útil muito longa na televisão porque geram identificação imediata e discussão em redes sociais, funcionando como gatilhos de engajamento para a audiência digital da própria emissora.

Guia prático para decidir entre a TV aberta e as assinaturas digitais

Assistir a um filme na Sessão da Tarde oferece vantagens que muitas vezes passam despercebidas pelo entusiasta de tecnologia focado apenas no 4K ou no Dolby Atmos. O principal benefício é o custo zero direto, além da conveniência de não precisar gerenciar assinaturas. No entanto, o espectador deve estar ciente das contrapartidas. A exibição na TV aberta ainda sofre com cortes para ajuste de tempo e inserções comerciais obrigatórias. Para quem busca uma experiência cinematográfica pura, sem interrupções e com a dublagem original ou legendas, as plataformas de streaming levam vantagem. Já para quem busca companhia ou entretenimento de fundo enquanto realiza outras tarefas, a programação linear é imbatível.

Para aproveitar melhor a seleção desta semana, é importante observar a qualidade técnica da transmissão. A Globo transmite seu sinal digital em 1080i, o que é suficiente para a maioria dos filmes de drama e comédia. Contudo, em produções de ficção científica com muitos efeitos visuais, a compressão do sinal da TV aberta pode gerar artefatos de imagem que não seriam vistos em um Blu-ray ou em um streaming de alto bitrate. Se o filme da semana for um épico visual, vale a pena verificar se ele está disponível em catálogos como o Disney+ ou Prime Video para uma experiência visual superior. Por outro lado, a dublagem clássica da Sessão da Tarde é, para muitos, um elemento nostálgico que o streaming nem sempre preserva.

Outro ponto crucial é a organização do tempo. A Sessão da Tarde tem um horário fixo, começando geralmente após o Jornal Hoje. Isso cria uma rotina que ajuda na disciplina de lazer de idosos e estudantes. Se você possui um dispositivo com função de gravação (PVR) ou utiliza o Globoplay, pode pausar e retroceder a programação ao vivo, unindo o melhor dos dois mundos. O segredo para um bom consumo de cinema em casa é saber identificar quais títulos merecem a atenção total do streaming e quais funcionam perfeitamente no formato de televisão compartilhada, onde o filme se torna um evento coletivo comentado em tempo real.

Cenários futuros para o cinema na grade de programação linear

O futuro da Sessão da Tarde está intrinsecamente ligado à capacidade da Globo de integrar sua TV aberta com o ecossistema digital. A tendência é que a emissora utilize frequentemente os filmes vespertinos como uma vitrine para conteúdos mais profundos disponíveis no Globoplay. Veremos uma convergência onde o filme exibido na tarde de segunda-feira serve como um chamariz para que o usuário assine o serviço de streaming para assistir a continuações ou documentários relacionados. O modelo de cinema gratuito na TV não vai acabar, mas ele deixará de ser um produto isolado para se tornar parte de um funil de conversão de clientes para o braço digital da empresa.

A sobrevivência desse bloco de programação também depende de ajustes na legislação de direitos autorais e cotas de tela. Com o aumento da produção nacional, é provável que a Sessão da Tarde passe a exibir mais filmes brasileiros, aproveitando incentivos fiscais e a crescente qualidade do cinema nacional. Para o mercado publicitário, o espaço continua valioso. Marcas que buscam o público familiar entendem que o cinema na TV aberta é um dos poucos momentos em que diferentes gerações estão sentadas diante da mesma tela. Isso garante uma longevidade ao formato que desafia as previsões mais pessimistas sobre o fim da televisão tradicional nos próximos anos.

Foto de Capa: Reprodução / dci.com.br • Fonte Original: dci.com.br

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