A indústria de games se enfiou em um buraco onde parece haver apenas duas saídas. Ou você é um indie de dez dólares feito em uma garagem ou é uma superprodução de trezentos milhões que leva sete anos para sair do papel. Essa polarização criou um vácuo perigoso no meio do caminho. Antigamente, existia o que eu chamo de jogo nota sete honesto. Aquele título que não tentava reinventar a roda nem custava o PIB de um país pequeno, mas entregava uma experiência focada e divertida em dez horas. Atualmente, se um projeto não demonstra o potencial de se tornar o próximo fenômeno cultural capaz de dominar a vida das pessoas por uma década, os executivos sequer dão o sinal verde para a produção começar.
O vício no espetáculo vazio e o medo do erro
O problema dessa ganância desenfreada é que o risco se tornou insustentável para as grandes publicadoras. Quando um jogo custa tanto dinheiro e tempo, ele perde o direito de falhar. E quando a falha é proibida, a inovação é a primeira coisa a ser jogada pela janela. O resultado é essa sequência interminável de mundos abertos genéricos, mecânicas de RPG coladas sem critério em todo gênero possível e sistemas de monetização agressivos que tentam extrair cada centavo do jogador. Vimos recentemente o que acontece quando projetos tentam seguir a cartilha do jogo como serviço corporativo e batem de frente com a realidade. O público está exausto de ser tratado apenas como uma estatística em uma planilha de acionista que precisa de crescimento infinito.
Enquanto os gigantes cambaleiam sob o peso de estruturas inchadas e processos burocráticos, o fôlego real do setor vem de quem entendeu que entretenimento não exige necessariamente texturas em 8K nos poros da pele do protagonista. O sucesso estrondoso de títulos menores, que focam em uma única ideia mecânica bem executada, mostra que existe sede por personalidade. Se as grandes empresas não aprenderem a reduzir a escala dos orçamentos e permitirem que seus desenvolvedores errem em projetos menos pretensiosos, elas continuarão entregando esses monumentos de tédio tecnicamente impecáveis. O mercado não precisa de mais um épico de cem horas sem alma; ele precisa de jogos que lembrem por que sentamos na frente da tela em primeiro lugar.
Foto de Capa: Foto de Florian Olivo na Unsplash
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