Missão internacional entre Brasil e Portugal estabelece novas diretrizes para proteger turistas no Rio de Janeiro

Redação Stey Post

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Missão internacional entre Brasil e Portugal estabelece novas diretrizes para proteger turistas no Rio de Janeiro
Foto: Reprodução / valorlocal.pt

A recente aproximação institucional entre as autoridades de defesa do consumidor de Portugal e do Rio de Janeiro marca um passo importante para quem costuma viajar entre os dois países. Sob a liderança do professor Werson Rego, do Instituto Nêmesis, e com a participação ativa de figuras como Mário Frota, a Secretaria de Estado da Defesa do Consumidor do Rio iniciou uma missão de cooperação técnica. O objetivo central é harmonizar práticas e garantir que o turista, muitas vezes vulnerável em solo estrangeiro, tenha suporte jurídico e administrativo eficiente contra abusos de empresas aéreas, hotéis e comércios locais.

Essa parceria não surge por acaso. O Rio de Janeiro é a principal porta de entrada de turistas internacionais no Brasil, enquanto Portugal continua sendo o destino favorito dos brasileiros na Europa devido à facilidade do idioma e aos laços históricos. No entanto, o aumento no fluxo de viajantes trouxe desafios novos, como golpes em plataformas de hospedagem e dificuldades em reembolsos de passagens aéreas. A presença de Mário Frota, uma das maiores autoridades luso-brasileiras em Direito do Consumidor, sinaliza que a pauta saiu do campo teórico para se transformar em um plano de ação governamental concreto.

Evolução do direito do consumidor no eixo luso-brasileiro

Para entender o impacto dessa cooperação, é necessário observar o histórico das leis de consumo em ambos os lados do Atlântico. O Código de Defesa do Consumidor brasileiro, vigente desde 1990, é considerado um dos mais avançados do mundo. Ele estabelece a responsabilidade objetiva dos fornecedores e facilita a inversão do ônus da prova. Em contrapartida, Portugal segue as rígidas diretivas da União Europeia, que oferecem proteções específicas, especialmente no setor de aviação civil, com regras de compensação automática para atrasos e cancelamentos que muitas vezes superam a agilidade do sistema brasileiro.

A missão atual busca criar um canal direto de comunicação para resolver conflitos que hoje demoram meses no Judiciário. Se um turista português enfrenta problemas com um pacote turístico no Rio de Janeiro, ou se um carioca é lesado por uma operadora em Lisboa, a ideia é que as secretarias de defesa possam atuar em conjunto. Isso reduz o custo da burocracia e evita que o consumidor precise contratar advogados em outro país para questões de baixa complexidade, como extravio de bagagem ou cobranças indevidas em cartões de crédito internacionais.

Além disso, a colaboração foca na capacitação de fiscais e agentes públicos. O intercâmbio de inteligência permite identificar empresas que operam de forma irregular nos dois mercados, criando uma lista de monitoramento compartilhada. Esse tipo de iniciativa fortalece a confiança do viajante, que se sente mais seguro para investir em roteiros mais longos e caros, sabendo que existe uma rede de proteção institucional ativa em caso de imprevistos que fogem ao controle do planejamento individual.

Estratégias práticas para viajar entre Brasil e Portugal com segurança

Planejar uma viagem entre o Rio de Janeiro e as regiões da Grande Lisboa, Ribatejo ou Oeste exige atenção a detalhes técnicos que vão além do passaporte. A melhor época para visitar Portugal é durante a primavera, entre abril e junho, ou no início do outono em setembro. Nestes períodos, as temperaturas são agradáveis e os preços de hospedagem não atingem o pico do verão europeu. Para quem faz o caminho inverso rumo ao Rio, os meses de maio a agosto oferecem dias ensolarados e menos umidade, ideais para explorar o centro histórico e as praias sem o calor excessivo de janeiro.

No quesito passagens aéreas, a estratégia mais eficiente é utilizar buscadores com alertas de preço e focar em voos diretos operados pela TAP ou Azul para evitar conexões cansativas. Uma dica valiosa é verificar se o seu cartão de crédito oferece o seguro de viagem obrigatório para o Espaço Schengen, economizando na contratação de apólices externas. Ao chegar em Portugal, o uso de cartões de débito globais, como Wise ou Revolut, é preferível ao uso de cartões de crédito brasileiros convencionais, já que o IOF é significativamente menor e a cotação do câmbio é mais próxima do valor comercial.

Em caso de problemas com serviços turísticos durante a estadia, o viajante deve guardar todos os comprovantes, notas fiscais e prints de conversas. Em Portugal, o Livro de Reclamações é um instrumento obrigatório e muito temido pelas empresas, funcionando de forma eletrônica ou física. No Rio de Janeiro, o portal Consumidor.gov.br e o Procon-RJ são as ferramentas mais rápidas para registrar queixas contra grandes empresas. Estar munido dessas informações evita que pequenas frustrações estraguem a experiência de férias e garante que o direito de reparação seja exercido com base na lei local.

Perspectivas futuras para o turismo e o mercado de consumo

A consolidação dessa cooperação entre Brasil e Portugal sinaliza uma tendência de globalização da defesa do consumidor. À medida que as viagens se tornam mais acessíveis e frequentes, os estados nacionais percebem que não podem atuar de forma isolada. A expectativa é que, nos próximos meses, novos protocolos de atendimento sejam lançados, possivelmente incluindo aplicativos integrados onde o turista poderá denunciar irregularidades em tempo real, com tradução e suporte jurídico básico gratuito oferecido pelas entidades parceiras envolvidas na missão.

Para o setor de turismo, essa segurança jurídica é um ativo econômico. Destinos que protegem o consumidor atraem investidores e turistas de maior poder aquisitivo, que valorizam a transparência e a eficiência institucional. O Rio de Janeiro, ao se alinhar com as práticas europeias através do conhecimento trazido por Mário Frota e o Instituto Nêmesis, tenta limpar sua imagem de destino complexo e inseguro juridicamente. O foco agora deve ser a implementação rápida dessas medidas, garantindo que os acordos assinados em gabinetes cheguem de fato à ponta final, que é o passageiro no balcão do aeroporto.

O monitoramento dos resultados dessa missão será fundamental para avaliar se a queda no número de processos judiciais de consumo será acompanhada por uma melhoria na qualidade dos serviços prestados. O mercado observa com otimismo, mas também com cautela, esperando que a fiscalização seja rigorosa contra empresas reincidentes. Para o brasileiro que planeja sua próxima ida à Europa, ou para o português que deseja conhecer as belezas fluminenses, o cenário nunca foi tão favorável para uma viagem tranquila e amparada por regras claras e compartilhadas entre as duas nações.

Foto de Capa: Reprodução / valorlocal.pt • Fonte Original: valorlocal.pt

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