O otimismo da semana passada parece ter ficado no descanso do feriado. Depois de uma alta acumulada de quase 9% que deixou muita gente animada, o mercado resolveu que era hora de colocar o lucro no bolso e garantir o que foi ganho. O Ibovespa caiu 1% nesta volta aos trabalhos, mas o que realmente chamou a atenção foi o dólar cruzando novamente a barreira simbólica dos 5 reais. Esse movimento mostra que, apesar da euforia passageira, o investidor ainda está com um pé atrás quando olha para o horizonte econômico do país.
A eleição começou a fazer preço na bolsa
Não dá para ignorar o peso das urnas no humor da Faria Lima. Quando a moeda americana sobe dessa forma logo após um rali de alta, fica evidente que a volatilidade das eleições está batendo na porta com força. A realização de lucros é um movimento técnico comum, mas o componente político traz um senso de urgência maior. O mercado detesta incerteza e, conforme as movimentações em Brasília ganham corpo, a tendência natural é buscar proteção na moeda estrangeira. O índice de referência da B3 sentiu o golpe, e agora a grande dúvida é se o dólar acima de 5 reais veio para ficar ou se foi apenas um susto pontual de ajuste.
O cenário para os próximos meses deve continuar nesse ritmo de montanha-russa. Quem esperava vida fácil depois da última subida forte já percebeu que o jogo é de fôlego curto e exige atenção redobrada. A economia brasileira ainda lida com questões fiscais pendentes e o clima de campanha só apimenta essa mistura perigosa. É bom preparar o estômago, porque os gráficos vão refletir muito mais os discursos de palanque do que os balanços das empresas daqui para frente. O recado do mercado hoje foi claro: a cautela voltou a ser a palavra de ordem.
Foto de Capa: Reprodução / exame.com • Fonte Original: exame.com
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